Tese de doutorado aborda as influências dos planos privados nos serviços de Saúde

O Ministério da Saúde anunciou, em 2016, um projeto de criação de planos de saúde populares para os usuários brasileiros: planos com preços mais baixos e com cobertura menor do que a regulada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A medida seria uma forma de dar acesso aos 2,8 milhões de brasileiros que deixaram de possuir planos de saúde entre 2014 e 2017 e teria a intenção de desafogar o Sistema Único de Saúde (SUS). A ANS está analisando o projeto, que sofre críticas do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Sociedade Brasileira de Pediatria, entre outras entidades. A proposta, no entanto, não deve de fato abrandar a demanda pelo sistema público de saúde, e sim gerar o efeito contrário.

Segundo Luciane Pilotto, pesquisadora do Departamento de Odontologia Preventiva e Social da UFRGS, uma parcela significativa de usuários de planos regulamentados pela ANS utiliza o SUS, devido à qualidade do sistema público e às limitações da cobertura dos planos privados. Com a implantação de planos mais baratos – de provável menor qualidade e cobertura –, a tendência é o aumento da utilização do sistema público. A pesquisadora observou, em dados de 2003, que 11,8% dos beneficiários de planos privados de saúde realizaram atendimentos através do SUS, e os serviços mais utilizados foram os de alto custo ou alta complexidade, sendo a hemodiálise o procedimento mais efetuado. Luciane afirma que a proposta do Ministério só irá gerar planos insuficientes para os usuários, levando-os a utilizar o SUS.

Em sua tese de doutorado, intitulada “Os planos privados de saúde no Brasil e sua influência no uso dos serviços de saúde”, Luciane investigou, a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) dos anos de 1998, 2003 e 2008, e da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013, as tendências brasileiras na utilização dos serviços médicos e odontológicos e sua relação com a posse de planos privados de saúde. Foram analisados os usuários que utilizaram serviços odontológicos no ano anterior à pesquisa e os usuários de serviços médicos dos 15 dias anteriores. A pesquisadora procurou descobrir se tais serviços foram utilizados pelo sistema público, pelo privado ou através de planos de saúde, além de avaliar o tipo de serviço usado, a posse de planos e o uso de serviços.

A matéria completa pode ser lida no UFRGS Ciência.

Fonte: http://www.ufrgs.br/ufrgs/noticias/noticias/RSS

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